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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

1 • CONTO • O país das maravilhas



O PAÍS DAS MARAVILHAS

Liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem.
Barão de Montesquieu

O empresário Bernardes Souto da Costa é um homem rico. Com pouco mais de 50 anos, os cabelos já grisalhos, tem um vigor de jovem e principalmente uma esperteza nata. Sempre gostou de dirigir e de possuir carros de luxo. 
Estaciona seu Audi A3 Sedan em frente à sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Havia marcado com a esposa de jantarem num restaurante, e já está atrasado, depois de passar a tarde conversando com o advogado, planejando sua defesa. Seu filho, um adolescente rebelde como o pai, resolveu recorrer à Justiça por ter sido proibido de fumar maconha em casa, evocando a Lei do Fascismo Paterno, iniciativa pioneira dos Direitos Humanos. 
Não pretende entrar na garagem, para nem olhar a cara do filho. Já telefonou para que a esposa saísse, mas ao saltar do carro, se depara com um cano de revólver encostando no seu peito. Um sujeito jovem e bem vestido vai logo dizendo:
“Não precisa fechar a porta! Passe a chave e os documentos do carro!”
Bernardes nunca fora assaltado em toda a sua vida. É a sua estreia, e talvez por isso ousa argumentar:
“Que direito você tem de me assaltar?” 
O assaltante mantém a arma apontada, e com a outra mão tira do bolso uma carteira. Quase a encosta no rosto do empresário, e diz, convicto:
“Assaltante profissional nº 32777 série B. Estou no meu direito. Passe logo essa chave! E a lei me dá direito aos documentos do veículo!”
Bernardes atende às exigências do assaltante. Nada mais resta fazer, pois a Lei do Assalto Urbano, outra grande conquista dos Direitos Humanos, havia sido aprovada recentemente no Congresso, e promulgada dias antes. 
Ainda bem que Bernardes é um empresário bem-sucedido, dono de uma rica empreiteira de obras. Vendo seu Audi se afastar nas mãos do assaltante, pensa que para ser possível comprar outro, terá de conseguir efetivar seu último negócio, uma obra estatal que lhe renderá alguns milhões. Calmamente, liga e pede à esposa que saía de casa com o Mercedes.
O custo da propina que pagará no dia seguinte ao deputado é relativamente alto. Mas o seu carro roubado, talvez sirva de argumento para pechinchar com o deputado uma redução da propina. Ambos são amigos e se consideram honestos, pois só trabalham com propinas que cumprem as exigências da Lei da Propina Limpa, que controla a porcentagem em relação ao custo da obra. 
No dia seguinte, o deputado o recebe em seu gabinete, onde já estava nas mãos de seu assessor o orçamento aprovado no Congresso. 
“Parabéns, amigo!” – Exclama Bernardes. “A aprovação foi mais rápida do que eu esperava! Como conseguiu?”
“Mumunhas, meu amigo, são minhas mumunhas... “
Então o empresário vai direto ao assunto:
“Temos um problema. Ontem fui assaltado, bem na porta de casa. Roubaram meu Audi. Vou ter que comprar outro, e você sabe que não é nada barato. Isso vai diminuir substancialmente o meu rendimento neste caso. Então, meu amigo, apelo para a sua amizade no sentido de me compensar, reduzindo um pouco a sua propina. Concorda?”
“Reduzir? Quanto?”
“Para cinco por cento.”
O deputado sorri. 
“Infelizmente não posso concordar. O destino dessa renda já está selado: é um ap para minha filha que vai casar mês que vem. Já está comprado. Não tenho como voltar atrás.” – Faz uma pausa, enquanto entrega o contrato ao empresário. – “Eu estou agindo com honestidade. E você já está ganhando bastante nesse superfaturamento!”
O empresário Bernardes dá uma rápida examinada no contrato: "A Lei da Sobrefatura me autoriza acrescentar irrisórios dez por cento nas notas fiscais dos meus fornecedores! E eu não coloquei um centavo a mais! Estou agindo totalmente dentro da lei! Você sabe que um carro do porte de um Audi A3 pesa na nossa balança. Para conseguir um carro do mesmo nível preciso realmente de uma redução da sua propina!”
“Somos amigos mas eu não faço filantropia. Se lhe assaltaram, não tenho culpa, é uma coisa que pode ocorrer com qualquer um de nós.”
 Aí o empresário Bernardes tem mesmo que apelar:
“E se eu lhe oferecer vinte por cento na próxima obra? Você reduz cinco por cento agora e recebe mais dez na próxima! O que acha? Você sabe que pode confiar em mim!”
O deputado retruca:
“Você também sabe que a lei não permite mais de dez por cento.”
“Ora, a lei! Tem sempre maneiras de driblar a lei, você conhece bem esse assunto! Posso colocar o excedente numa mala, deixar em algum lugar marcado... Isso se arranja!”
O deputado leva a mão ao queixo e reflete demoradamente. Depois volta-se para o empresário:
“Fechado! Pode preparar meu cheque.”
Em seguida coloca a mão no ombro de Bernardes e o olha bem nos olhos:
“Mas quero deixar claro: estou confiando na sua palavra. Você sabe que uma falsidade entre nós representa banir sua empresa de futuras licitações!”
“Não precisa me dizer isso! Jamais trairia um amigo! Principalmente você!” 
E tudo termina num demorado aperto de mãos. 


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ela será muito bem-vinda.

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sendino.claudio@gmail.com

2 • HITÓRIAS DAS COISAS • O Salvação da Lavoura

(Aqui, os personagens são objetos)



O Salvação da Lavoura

Nas três prateleiras do armário da copa habitavam todos os copos, de diversos tipos, formas e cores diferentes. A competição entre eles era grande. Tulipas chiques, ostentando no peito marcas de cervejas famosas, isolaram-se em uma coleção. Outras tulipas comuns moravam sozinhas em uma prateleira, e noutra os copos simples para água e para refrescos, de uso frequente na casa, não se misturavam com os de cristal, que também se mantinham em grupo fechado. Sofisticados e gorduchos cálices de vinho, ao lado de outros magricelos e altos, próprios para champanhe, disputavam a soberania do armário.
Mas um deles se destacava de todos, pela qualidade inferior do vidro e pela aparência de pobre, igual aos que são usados nos bares e botecos chamados de “pé sujo”, frequentados por bêbados que mal podem pagar uma dose de cachaça. Esse copo, tão simplório e tão sem importância, nunca era usado e vivia esquecido no canto da prateleira. No entanto, tinha o seu nome conhecido e comentado por todos: Salvação da Lavoura. 
Esse nome intrigava toda a comunidade, e a pretexto de esclarecer o mistério de sua origem, uns aproveitavam para lançar “farpas” nos outros: “Vocês têm certeza de que é esse mesmo o nome dele, ou isso foi inventado pelo copo de uísque, depois de algumas doses?” – Perguntava o cálice de vinho. 
O copo de uísque rebatia: “Não, eu não perco a noção das coisas só com um pouquinho de suco de uva fermentado! Ouvi muito claramente a nossa dona chamá-lo de Sal-va-ção-da-La-vou-ra. E mais de uma vez!” – Ao que o cálice retrucou: “Então me diga que tipo de lavoura aquele esfarrapado pode ter salvado, para ter esse nome?”
E todos deram boas risadas.  
Havia também um outro copo bastante humilde, chamado de Queijão, originário de um simples pote de requeijão, mas que devido à sua simpatia, conquistara a amizade de todos, inclusive do Salvação da Lavoura. Era o único que mantinha com ele uma relação mais próxima. Queijão ouvia os comentários maldosos sobre o amigo, mas não contava nada a ele. Nem se atrevia a perguntar a origem do estranho nome, por respeito, com receio de constrangê-lo. Mas depois dessa última gozação geral, criou forças e foi conversar com o Salvação.
Encontrou-o isolado lá no fundo da prateleira, quieto como sempre, e com poeira por falta de uso.
“Olá, amigo. Vim para conversar um pouco, tudo bem?” 
“Você é meu único amigo, tenho sempre prazer em recebê-lo” – Disse, muito formalmente, como é o seu modo de ser. Queijão já se acostumara a essa formalidade, e talvez fosse isso que o impedia de estreitar a amizade. 
Mas dessa vez, Queijão estava decidido: “Quero lhe fazer uma pergunta indiscreta...” 
“Fique à vontade!” – Respondeu Salvação. – “Pergunte o que quiser, mas vou logo avisando que tenho pouca instrução, por isso não garanto uma boa resposta!”
Queijão deu um risinho, vacilou um pouco, mas tomou coragem e foi direto ao assunto: “É uma pergunta muito indiscreta. Tenho curiosidade de saber quem lhe deu esse nome – Salvação da Lavoura?”
Ao contrário do esperado, Salvação não se irritou. Disse sorrindo: “Você quer mesmo saber? Talvez ache uma história sem graça...”    
O amigo reafirmou sua curiosidade e Salvação começou a contar a história da sua vida: “Eu morava num lugarejo, no meio do mato, tão pobre que nem sequer tinha nome, mas ficava no Rio de Janeiro, caminho de Parati. Ali eu vivia com meu dono, um velho que vendia bugigangas numa vendinha de pau a pique coberta com sapê. Conhecia só uma estradinha de terra, nunca tinha visto asfalto.”
Todo dia era igual: uns três ou quatro fregueses, no máximo, compravam alguma coisa: bananas, tomates e umas verduras que meu dono plantava. E cerveja. Ele vivia principalmente de vender cerveja, pois um fornecedor passava de caminhão uma vez por semana, e reabastecia a venda. A cerveja toda era consumida por uns beberrões que moravam por perto.
Eu e mais dois copos iguais a mim servíamos aos bebedores de cerveja, quase toda noite. A gente passava os dias numa prateleira, em cima de uma geladeira velha, que fazia um barulhão enorme para funcionar. Essa era minha vida, e eu não tinha esperança alguma de que ela fosse mudar. Mas um dia, ou melhor, uma noite, eu e meu dono acordamos com um farol de carro, quase encostado na porta da venda, e com duas buzinadas fortes. O meu dono, que já estava quase dormindo, deu um pulo da cadeira e correu para a porta.
Pensei: “O que será que alguém quer a essa hora da noite?” – Meu velho dono conversou com eles algum tempo e depois entraram. Era um casal de jovens.  
O velho me pegou e me mostrou para a moça: “Só posso vender esse aqui. Serve para a senhora?”
A moça arregalou os olhos e exclamou: “Mas claro que serve! Vai ser a salvação da lavoura!” Em seguida, pagaram ao velho e me levaram, sem nem sequer me embrulhar.
Passei aquela noite num delírio completo. Pude notar que era o único copo que dispunham, por isso eu era enchido não sei quantas vezes de vinho e depois de cerveja. No fim, até gin eu tive que levar às duas bocas – da moça e do rapaz –, que naquela altura já haviam largado o carro e estavam fazendo sexo numa barraca de acampar. Encheram a cara com várias bebidas e finalmente dormiram, me largando na areia, no
canto da barraca.
O dia seguinte amanheceu ensolarado, e o casal dormiu até bem tarde. Pensei no que fariam de mim, e fiquei com medo de ser abandonado naquele lugar deserto. Senti uma saudade enorme da segurança do meu canto, do velho, da venda e da prateleira. Como é bom ter uma casa! 
Mas antes que me desesperasse, a moça acordou, sonolenta, me achou no chão e me abraçou contra o peito: ‘Olha, querido, que lindinho ele é! O seu nome agora vai ser Salvação da Lavoura!’
Pronto. Eu estava batizado.
Depois, fui levado para a mochila, viajei quase meio dia na mala do carro e acabei num lindo apartamento. Minha dona me deu um beijinho e me colocou num armário envidraçado, na cozinha, ao lado de muitos outros copos, todos chiques, a maioria de cristal. 
Vivi nesse apartamento muitos anos, tratado sempre com muito carinho pela minha dona. Ela me usava quando estava sozinha, mas quando o namorado chegava, preferia usar os outros copos mais chiques.” 
“E como você veio parar aqui nesta casa?” – Perguntou Queijão, muito curioso.
“Muita coisa aconteceu desde então!” 
Mas nesse instante, Salvação percebeu que a porta do armário começava a ser aberta, e resolveu encerrar o assunto: “Eu lhe conto o resto mais tarde.” 
As mãos de uma senhora pegaram as tulipas da coleção com imagens estampadas, na prateleira de cima, e a porta foi novamente fechada. Era sinal que tinha visita em casa. 
“É ela! É a mulher da história que contei!” – Exclamou Salvação. 
“Mas essa é a nossa dona! Ela já é uma senhora!” – Respondeu, surpreso, o amigo. 
“O que eu lhe contei passou-se há mais de trinta anos!” – Disse Salvação, com um pouco de tristeza na voz. E concluiu: “O tempo causa mais estrago nos humanos do que em nós, eu já percebi isso...” 
Queijão nem ouviu direito esta última frase, atento ao movimento no interior do armário. Notou que os outros copos se aproximaram, provavelmente para tentarem ouvir o resto da conversa. 
Aproveitou-se então da situação para fazer uma aproximação entre eles: “Salvação da Lavoura, eu quero lhe apresentar os outros copos. Todos eles gostariam de conhecer você e por alguma razão até hoje viveram afastados. Mas agora eles vieram conhecê-lo. Ali está o copo de uísque, ao lado dele os cálices de vinho, os copos de água... Enfim, vieram todos.” 
“Muito prazer.” – Disse formalmente, como sempre, e todos responderam ao cumprimento. Foi um bom começo. 
Queijão então prosseguiu: “Estávamos aqui conversando e Solução da Lavoura contava a rica história de sua vida.”  
“Nós ouvimos tudo.” – Respondeu laconicamente o copo de uísque.
“Verdade? Vocês todos ouviram a minha história?”
“Você não queria, era segredo?” – Perguntou um cálice de vinho.
“De forma alguma! Eu sempre desejei contar, explicar esse meu nome esquisito... Estou feliz por vocês se interessarem por mim!”
Queijão, curioso, acabou com os rodeios: “Você dizia que a senhora nossa dona, é a mesma mulher que lhe adotou, na noite do acampamento. É isso mesmo?”
“Sim! E faz mais de trinta anos! Primeiro eu vivi no seu apartamento de solteira, até que eles se casaram, o namorado virou marido. Fui então levado para outro apartamento, bem maior. A sala era grande, e no armário tinha muito mais copos ao meu redor. Nesse tempo, ela e o marido ainda gostavam de mim, mas não me usavam mais. Eu notei que havia me tornado um objeto de estimação, não era mais simplesmente um copo. Volta e meia, quando minha dona abria o armário, me dizia baixinho: ‘Olá, Salvação da Lavoura!’ – Mas não me levava para a mesa. 
O seu marido também se mostrava feliz em me tocar. Mas na hora de usar, escolhia os outros copos... Só aos poucos eu consegui compreender e aceitar essa situação.  
Os humanos vivem muito das aparências, apesar de manterem ainda um lado afetivo. Com o tempo eu compreendi isso muito bem. Aprendi a ser feliz só por saber que eles ainda gostam de mim. Eu me satisfaço com isso. 
Também já aprendi que tenho uma vida maior do que a deles. Os humanos envelhecem rapidamente. Eu sou de vidro, eles de carne e osso. Um dia vão morrer, e se não me quebrarem, continuarei vivendo... Com outro dono, em outra família, mais pobre ou mais rica, não sei. Mas isso só tem importância para os humanos. Para mim não tem nenhuma.”  
Os outros copos, depois de ouvirem essas palavras, caíram em si: “Você tem razão. O rótulo do uísque que a gente transporta, ou a safra do vinho, só interessa mesmo aos humanos!” – Disse o pomposo copo de uísque. 

“São eles que vivem de aparência, nós não precisamos disso!” – Concluiu Salvação da Lavoura. E a partir daí, passou a ser tratado como um bom amigo por todos.


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3 • HUMOR & CARTUNS • Villa Lobos

O maestro Villa Lobos

Desde os primeiros anos do ensino básico, as professoras exaltavam as pessoas importantes da História do Brasil, inclusive no campo das artes. 
Isso, muitos anos atrás. 


Imagine se, numa escola atual, a professora resolvesse perguntar aos alunos sobre esse grande compositor...
(Villa Lobos  viveu 72 anos. De 1887 a 1959)

4 • ELES SÃO UNS GATOS! • Amizades são alegres


Grandes amizades nascem da alegria.

A princípio, APARECIDO mantinha um ar de superioridade.

Aos poucos, CÉU conseguiu se impor.

Mas eles viviam rindo um do outro!

Assim, se tornaram grandes amigos.

5 • DIVERSOS • Trabalhos de fotomontagens

No meu trabalho de direção de arte e diagramação, é rotineiro criar fotomontagens para ilustrar matérias ou capas.


Ilustração para capa do Jornal dos Economistas - A disputa financeira

Ilustração para capa do Jornal dos Economistas - A queda do dólar

Ilustração para capa do Jornal dos Economistas - A explosão do dólar

Banner comemorativo da data - Revista Biólogos

Banner comemorativo da data - Revista Biólogos

Ilustração de matéria - Revista do Clube Naval

Ilustração de matéria - Revista do Clube Naval
Ilustração de matéria - Revista do Clube Naval

Ilustração de matéria - Revista do Clube Naval

6 • INFORMAÇÕES PROFISSIONAIS • Sendino

SENDINO
(Claudio Fabiano de Barros Sendin)

• Diretor de arte publicitário, trabalhou em Criação, nas principais agências do Rio de Janeiro, de São Paulo, e num estúdio de publicidade em Barcelona. 
Durante essa fase, participou da criação de campanhas publicitárias para muitas empresas e instituições importantes, entre elas: Volkswagen, Vasp, Gillette, Coca-Cola, Banco do Brasil, Petrobras, Merrel (Cepacol), Fleischmann Royal, Bradesco Seguros, Prefeitura do Rio de Janeiro. 
Algumas dessas campanhas e peças isoladas receberam medalhas de ouro, prata e bronze, no Prêmio Colunistas.

• Cartunista publicitário, criou personagens bem-sucedidos para publicidade, como Bond Boca, da Cepacol, em parceria com o redator Alexandre Machado, e o Bocão, da Fleischmann Royal, em parceria com a equipe de marketing da Norton. Criou todos os cartuns da campanha Minimania, para a Coca-Cola e Bob’s.

• Cartunista editorial, ilustrou muitas matérias na revista Domingo (do antigo Jornal do Brasil), onde criou a capa sobre “mergulhadores procurando barcos naufragados na Baía de Guanabara”. Na revista Veja Rio, criou 16 capas, muitas ilustrações de matérias, e ilustrou com charges as crônicas do crítico musical Sérgio Cabral, durante mais de cinco anos. Para o jornal O Globo, criou muitas capas para os Cadernos Vestibular

• Diretor de arte editorial, fez os projetos gráficos de várias revistas corporativas: Hospedagem Brasil (para a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Rumos Práticos (para o Conapra – Conselho Nacional de Praticagem), Paissandu Notícias (para o Paissandu Atlético Clube – RJ), Biólogos (para o CRBio-02 – Conselho Regional de Biologia), Revista da Casa de Eapaña (Órgão de divulgação da cultura espanhola no Rio de Janeiro), e Revista do Clube Naval (Para o Clube Naval do Rio de Janeiro).  

• Autor de três livros de cartuns: 
A fábrica e o povo (Massao Ohno – Ricardo Redisch Editores), com cartuns que ilustram um texto de Eça de Queirós.
Viagem de volta, (Repro–SP), com desenhos surrealistas de aviões inspirados nos Beatles, e poemas de Nei Leandro de Castro inspirados nos desenhos e nos Beatles.
Anedotas populares (Editora Taurus), com cartuns em forma de quadrinhos sobre anedotas contadas pelo povo.

• Contato com Sendino, através do e-mail:

sendino.claudio@gmail.com

domingo, 23 de setembro de 2018

• ARTIGO • Você crê em Deus?



Você crê em Deus?
Antes de responder simploriamente sim ou não a esta pergunta, faz-se necessária uma profunda reflexão. 
Falar em Deus remete à religiosidade. Todas as religiões adotam o princípio de que Deus é amor, entretanto os seus fiéis interpretam tal princípio de várias maneiras.  Uns vivem anunciando aos quatro ventos que Deus é o Senhor e o nosso Rei. Outros imaginam que Deus seja um ser repleto de luz, um grande espírito, o Mestre de todos os mestres, possuidor de tamanha sabedoria, que foi capaz de criar o Universo em sete dias. Merece, portanto, ser adorado e venerado por toda a humanidade. Outros ainda acreditam que Deus castiga quem o desobedece, perdoa os que se arrependem, e recompensa quem o agrada; inclusive ofertando automóveis, se levarmos em conta os inúmeros adesivos que colam em veículos. 
Mas é óbvio que as religiões não afirmam que Deus faça nada disso, pois castigar desobedientes e recompensar bajuladores é próprio dos tiranos. Tampouco é admissível que Deus queira ser Rei, e deseje ter súditos. Muito menos ser chamado de Senhor, afirmando sua autoridade, como um ser humano qualquer. E certamente Deus é indiferente a ser adorado ou não, pois a vaidade também pertence aos humanos, assim como ser sábio, bondoso ou fiel.
 Os conceitos e qualidades que os religiosos atribuem a Deus são sempre inerentes aos seres humanos. Essa constante humanização pode ser constatada na imagem do austero rei de cabelos brancos e longa barba, sentado num trono de nuvens, que representou Deus durante séculos. 
Há porém os que não conseguem imaginar Deus como o Senhor, como um rei autoritário e castigador, ou mesmo como uma entidade de luz. São os que consideram Deus a energia que move todo o Universo, ou seja, a Natureza. 
Pode-se afirmar, sem erro, que as suas leis eternas e imutáveis regem todas as coisas e seres, num processo automático e contínuo, através dos tempos.
Falamos assim do mesmo Deus, mas sem o mito religioso. Os pronomes e artigos que o designam são escritos com minúsculas, pois a Natureza não precisa ser adorada. Ela simplesmente ignora se a veneramos ou não, porque suas leis sempre foram e sempre serão cumpridas, em qualquer circunstância. Quem agir em desarmonia com elas, provoca em si mesmo o “castigo”, isso é, aquilo que está fazendo sai errado. Mas quem agir em harmonia com as leis de Deus, automaticamente será “recompensado”, isso é, aquilo que faz dá certo. Quem, ao ver o erro que cometeu, se arrepende sinceramente, o “perdão” de Deus será livrar-se da culpa, permitindo que dali em diante concentre toda a energia em reparar o erro e agir de modo certo, reativando amizades e abrindo novamente o seu caminho. 
Os que veem Deus dessa forma, podem afirmar verdadeiramente que ele está em toda parte, pois a matéria do Universo é energia condensada, formando os átomos e moléculas. A mesma energia que circula por nossos cérebros, dando-nos a sensação da individualidade. Portanto, é certo que somos parte de Deus, e nos movimentamos através das suas leis, que não dependem de religião alguma, de nenhuma oração, promessa ou magia, para que se cumpram.
Nesse caso, fazer uma prece a Deus pedindo a sua ajuda, é estabelecer contato consciente com essa energia cósmica, assumindo uma postura humilde diante do fantástico e constante movimento do Universo, do qual somos uma partícula infinitesimal. É aceitar a nossa pequenez, é reconhecer a limitação do conhecimento humano. 
O conhecimento das leis de Deus, que são as leis naturais, é cobiçado desde o momento em que o primeiro ser humano olhou para o céu e percebeu as estrelas. É perseguido, tanto pela Ciência quanto pela Religião, ambas pressupondo, cada uma a seu modo, um profundo conhecimento. 
Porém, se atentarmos bem, veremos que em toda a existência humana, o tanto que aprendemos é ainda muito pouco.
No século XVII, Newton enunciou três leis naturais que pareciam dar ao ser humano um grande domínio da Natureza. No entanto, a Ciência não para de evoluir, e postulados tidos como intocáveis numa época, em outra podem ser superados. Um exemplo foi a constatação feita por Einstein de que a menor distância entre dois pontos, nem sempre é – como parecia óbvio – a linha reta. 
Isso mostra que o ser humano somente conseguiu dominar parte das leis da Natureza, nunca as conheceu inteiramente. Ainda que esse limitado conhecimento o tenha possibilitado realizar as maravilhas tecnológicas atuais, como o computador e os celulares. 
Se na Idade Média tentássemos descrever o telefone celular, por exemplo, certamente seríamos tachados de bruxos. E quem sabe, daqui a 500 anos, tudo isso seja tão rudimentar quanto agora são as “trapizongas” produzidas naquela época? O que torna perfeitamente aceitável supor que, no futuro, a Ciência chegará a manipular fenômenos que atualmente não consegue explicar, como os paranormais e mediúnicos. Ou milagres, como os religiosos costumam chamar.
O estudo científico dos conhecimentos espirituais sempre foi cerceado pelos donos do poder, que até hoje só financiam experiências científicas que lhes traga lucro, e se possível, imediato. Por isso, todo o progresso tecnológico, através dos séculos, foi dirigido praticamente para duas finalidades: ampliar o poder bélico e alimentar o consumismo. Até mesmo a Medicina teve, e ainda tem, o seu avanço atrelado ao interesse lucrativo da indústria. 
Contudo, a evolução da Quântica permitiu à Ciência superar alguns postulados da Física tradicional, e, embora a passos lentos, novas leis da Natureza, que atuam nos pensamentos e emoções, vêm sendo cientificamente estudadas. Já é bastante sabido, por exemplo, que emoções e pensamentos influem diretamente na formação das células de todo o corpo. Com isso, é possível vislumbrar a cura de doenças através da telepatia e de outras formas de vibração mental que, em algumas religiões, sempre foi prática rotineira, embora, até hoje, sem o aval da Ciência. Mas chegará o dia em que a explicação de tais fenômenos engrossarão as páginas dos livros científicos, o que certamente representará um grande progresso humano.
A busca incansável do ser humano pelo domínio da Natureza, inclui também a tentativa de explicar a formação do Universo. Novamente, Ciência e Religião seguem caminhos praticamente opostos. 
Como tudo começou? As explicações religiosas são quase todas baseadas nos antigos mitos nascidos na Pré-História e na Idade Antiga. Pouco foi acrescentado. No mundo científico, a teoria mais aceita, a do Big Bang, diz em síntese que o Universo se formou a partir de uma grande explosão. É baseada na constatação de que as galáxias estão constantemente se afastando umas das outras, em consequência da explosão no início dos tempos, quando todas formavam um único ponto. 
No entanto, sabemos que todo efeito possui a sua causa. Esse ponto inicial teria, portanto, que ser constituído ao menos de um átomo, para ser possível a explosão, já que o nada é incapaz de explodir.
Mas como se originou esse primeiro átomo? De onde teria surgido?
A tais perguntas, simples e diretas, apesar das várias teorias que tentam formular respostas, o conhecimento humano ainda não conseguiu esclarecer definitivamente.   

Então, devolvo a pergunta: – Você crê em Deus?

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