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quinta-feira, 14 de junho de 2018

• ARTIGO • Ação e reação


Por volta do ano de 1600, as primeiras leis da Física começaram a ser descobertas e comprovadas. Com a manipulação dessas leis, a humanidade conseguiu produzir, nesses últimos séculos, verdadeiras maravilhas, como os computadores, cada vez mais sofisticados, veículos espaciais de todo tipo, robôs que executam tarefas com precisão micrométrica, celulares que possuem mil funções –, que deixariam perplexo qualquer cientista da antiguidade. 
Tamanho progresso poderia ter elevado a um alto patamar a qualidade de vida de toda a humanidade. Mas os benefícios conquistados pelas populações do planeta nem de longe são compatíveis com esse grande desenvolvimento. Infelizmente, o resultado das invenções e descobertas atendem quase que somente à cobiça dos detentores do poder. Até mesmo o avanço da Medicina segue o caminho determinado pelos interesses da indústria farmacêutica. 
Essa grande incoerência esteve sempre presente no desenvolvimento do mundo e por isso os seres humanos vão ficando cada vez mais competitivos. Competem por tudo: por um cargo melhor no trabalho, por ascensão social, pela conquista dos bens de consumo, por riqueza e poder. 
A competição é considerada por alguns filósofos como a natural consequência da agressividade humana, herdada geneticamente do Homo Sapiens, que por sua vez a herdou de seu antecessor. Hoje em dia a competição é exaltada como uma qualidade positiva, na indústria, no comércio, e até na educação das crianças e jovens. É constantemente estimulada por pais e professores, que parecem não enxergar que ela seja a causadora de diversas formas de violência, de guerras entre indivíduos e entre nações. E que o seu estímulo prolongado tenha como consequência lógica, cedo ou tarde, o auto extermínio da espécie humana. 
Na competição permanente entre os indivíduos, as emoções e pensamentos comandam todas as ações. Essa competição, que se passa nos pensamentos, é tão intensa quanto as disputas na vida externa, porque uma é o reflexo da outra. E se considerarmos que pensamentos e emoções são transmissíveis entre cérebros, os pensamentos dirigidos a qualquer pessoa poderão gerar outros de retorno, numa troca invisível de forças mentais. 
Há razões para supor que realmente isso acontece. Segundo a moderna Física Quântica, “o micro mundo é não-local”. Significa que, quando duas partículas correlacionadas se separam, ainda que entre as duas exista uma imensa distância, qualquer experimento realizado numa delas repercute instantaneamente na outra.
Esse fenômeno permite admitir que, se um cérebro enviar energia de pensamento a outro cérebro, este reagirá, devolvendo uma energia igual e contrária, de forma semelhante ao enunciado da terceira lei de Newton (A toda ação corresponde uma reação contrária e de igual intensidade.), mas agora extensiva aos pensamentos e emoções.  
A troca de energia mental acontece a todo momento. Já dizia o velho e popular Profeta Gentileza, que “Gentileza gera gentileza”, parodiando o conhecido ditado “Violência gera violência.” 
Ambas as frases estão absolutamente corretas.
É fácil constatar, por exemplo, numa roda de conversa, que se alguém conta uma notícia de um crime, daí em diante o assunto tende a girar em torno de crimes. Os pensamentos do grupo, sintonizados nesse tema, levam cada um a procurar na memória outro crime para contar. É possível que depois de algum tempo, alguém perceba que o ambiente está “pesado” e proponha mudar de assunto. 
Por essa razão, a grande cobertura dada aos crimes e tragédias nos noticiários da mídia é fonte geradora de violência. Ainda mais quando estendem as reportagens por dias ou semanas, explorando as cenas dramáticas e os sentimentos de revolta e ódio dos envolvidos nas tragédias. A imprensa é incapaz de reconhecer esse fato, alegando que apenas cumpre o seu dever de informar, porém as leis naturais não levam em conta as razões motivadas por meros interesses humanos. 
Notícias de assassinatos e outros crimes, que arrecadam altos índices de audiência, enchem o público de ódio e indignação, seja pela violência das imagens transmitidas, seja pela injustiça ou impunidade. E indignação nada mais é do que emoção e pensamento, gerando uma energia de igual teor, extremamente negativa, que contamina simultaneamente multidões de leitores ou telespectadores.  
Algumas pessoas são mais receptivas, outras menos. Umas são verdadeiras “esponjas” emocionais, abatendo-se com qualquer pensamento negativo e reagindo, conforme o caso, com ódio e revolta. Outras, protegem-se com o escudo da indiferença, que lhes torna quase imunes aos ataques emocionais externos.
Por outro lado, hoje em dia há dados médicos comprovados, suficientes para se afirmar que as emoções positivas de fraternidade e afeição potencializam a saúde, enquanto as emoções negativas de ódio, medo, revolta etc., tendem a comprometê-la. Pensamentos e emoções atuam diretamente em nosso organismo, podendo baixar a imunidade e provocar doenças, como também curá-las. Ativam ou inibem as glândulas que produzem substâncias nocivas ou benéficas para as células, em todos os órgãos do corpo.
Há também, de forma muito mais poderosa, o pensamento coletivo, que pode ser gerado somente por um grupo, ou mesmo por toda uma nação.
 A maior evidência desse pensamento coletivo está nos países já agredidos ou escravizados por outros, e que por isso cultivam o sentimento de vingança em todo o povo. Por vezes, séculos depois, com a política mundial completamente mudada, seus indivíduos conservam ainda o ódio enraizado nas mentes, cuja vibração os impele à prática de atos terroristas contra o antigo inimigo. Para justificar esses atos, buscam amparo até mesmo em suas crenças religiosas, totalmente deturpadas pelos sentimentos de revolta.
Conhecemos no mundo países nessa situação, e seus líderes, apesar de externarem um desejo de paz, por baixo do pano permitem e até estimulam a formação de grupos extremistas que põem em prática o desejo coletivo de vingança.
Apesar de entidades mediadoras, muitas vezes conseguirem evitar o confronto bélico, tais nações estão continuamente em guerra mental. Essa troca de energias negativas, nenhuma filosofia ou religião, jamais conseguiu evitar.
No entanto, todos vivem apregoando a paz.
Países conflitantes tentam alcançá-la por meio de acordos e tratados diplomáticos, e até fortalecendo seus arsenais bélicos, para assim, em igualdade de condições com os outros, poder dissuadi-los.
A paz conseguida por esses meios será sempre momentânea. A competição desenfreada e ininterrupta em que vivem, fará aparecer outros impasses, acirrando novamente os confrontos. Por isso, infelizmente não há exemplos de nações que cultivem a plena amizade, trocando pensamentos e emoções afetuosos e desejos de felicidade mútua.
Para que a paz seja verdadeiramente alcançada, é necessário que se leve em conta o real significado de “Amai-vos uns aos outros”, que certamente não é o de sair por aí amando afoitamente a todos. Significa sim, que os seres humanos precisam se conscientizar – não apenas em teoria –, que são parte da Natureza, e todos pertencem à mesma raça. Devem, portanto, pensar e agir coletivamente, concentrados não apenas no seu próprio bem-estar, mas no de toda a espécie. 
Isso nada mais é do que adotar um sistema de vida em colaboração, em vez da vida em competição, como sempre existiu. 
Tal estágio evolutivo ainda não foi atingido, sobretudo porque a grande maioria das pessoas desconhece que suas emoções e pensamentos emitem energia, como também a capta dos pensamentos dos outros, pois toda energia é regida pela lei natural de causa e efeito, ou de ação e reação. 
Enquanto os sentimentos e pensamentos competitivos e agressivos incentivam a violência e as guerras, os altruístas e fraternos, não só fazem bem a quem os têm e aos que estão próximos, como, emitidos coletivamente, são capazes de promover a tão sonhada paz.

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• HISTÓRIAS DAS COISAS • 29 • Serra Azul



CAFÉ DA MANHÃ

História 19
Serra Azul

(Continuação de O fim da era dos recordes)


A colherzinha de café interrompeu o descanso do facão Rebite Prata: “Seu Prata, aí fora tem um facão querendo falar com o senhor.” – E antes de ouvir a resposta, foi logo fornecendo os detalhes: “Ele é meio estranho... É muito franzino... Parece mais uma faca, mas se apresentou como sendo um facão! Ele é serrilhado e tem o cabo azul, como o da faquinha Azul, mas é bem menor do que ela! Sinceramente, seu Prata, eu nunca vi um facão assim... Mas ele disse que conhece o senhor, posso deixar entrar?” 
Imediatamente Facão Prata se lembrou que foi procurado por uma figura exatamente assim, na época em que esteve confinado na gaveta da churrasqueira. Tinha o tamanho de uma faquinha, mas se achava muito maior. Disse ter sido criado em meio às facas, como se fosse uma delas, mas sempre se considerou diferente. “Eu sou um facão serrilhado, é assim que me sinto.” Contou que onde morava eram todos muito tradicionais, não admitiam mudanças de gênero, e por isso era mal-visto na comunidade.
“Você é gay?” – Perguntou Prata, com naturalidade.
“Não gosto desses rótulos”, respondeu, “apenas sei que sou um facão e não uma faca, como todos pensam.”  
Facão Prata se recorda que ele almejava uma vaga para atuar no Torneio de Tirinhas. Apesar da aparência frágil, garantiu que seu tamanho não seria empecilho: estava certo de sua competência. Chegou a implorar, usando uma reverência exagerada: “Oh, grande mestre, consiga para mim uma vaga na sua equipe.” – E concluiu humildemente: “Eu lhe imploro!”
Prata lembrou-se nitidamente que naquele momento ficou sem saber o que responder. Não tinha como prometer nada, mas também não queria bater-lhe a porta. Se lhe desse um não, poderia estar cometendo uma injustiça. Quem sabe –, pensou –, estivesse ali um grande talento? Resolveu então ser bem franco: explicou que estava na condição de exilado, por isso nada poderia decidir, mas recomendou que procurasse a faquinha Azul, em seu nome, na gaveta dos talheres da cozinha. 
Dias mais tarde o facão Rebite Prata foi chamado de volta à atividade, em dupla com o Dourado. Após sua volta aos Torneios, muitas águas rolaram. Aconteceram fatos importantes e graves, inclusive duas mortes trágicas: a da querida faca Fininha, e logo em seguida a do seu grande amigo Dourado. Esse período foi tão tumultuado que o fez esquecer totalmente do facãozinho serrilhado de cabo azul a lhe implorar ajuda. 
Prata jamais poderia esperar que um dia ele aparecesse novamente. Até porque lhe havia recomendado que procurasse a faquinha Azul, o que ele nunca fez. Mas o fato é que ali estava a figura, defronte à sua casa, querendo lhe falar. Como no passado, Prata não atinava o que fazer, mas também não queria lhe bater a porta, cortar sua esperança. 
“Deixe o facãozinho entrar” – respondeu para a colherzinha.
Pouco depois deu-se de cara novamente com o delicado facãozinho serrilhado. Seu cabo azul reluziu de alegria ao vê-lo: “Olá, mestre Rebite Prata, como vai o senhor?” 
A partir daí, os dois conversaram muito. O facãozinho tornou a contar a sua história, o descrédito de sua família e da comunidade onde vivia, e reafirmou sua vontade obsecada de fazer parte da equipe do Torneio de Tirinhas
Prata foi obrigado a admitir que, além de perseverante, ele era também muito simpático. Acabou deixando-se cativar, crendo mesmo tratar-se de um talento em potencial. Prontificou-se a testá-lo, porém deixando claro que não falava em nome da empresa; a iniciativa seria em caráter pessoal, particular. Sugeriu que adotasse o nome artístico Serra Azul, e acertou a realização do primeiro teste no dia seguinte, numa arena vazia. O facãozinho ficou radiante. Em seguida voltou para a gaveta, onde o Prata lhe ofereceu um lugar para ficar, durante o período de testes.
No dia seguinte, saiu-se maravilhosamente bem no teste de corte do pão, por conta do seu serrilhado e também por mostrar-se afiadíssimo. Nota dez! No entanto, no corte do queijo foi uma decepção. A fragilidade de seu corpo se fez notória: vacilou, envergou a lâmina e arrancou pedaços irregulares, fragmentando o queijo, sem força suficiente para cortá-lo de cima a baixo. Tentou novamente, e outra vez se deu mal. 
Voltou então chorando para a gaveta, com uma tristeza sem fim, apesar de seu mestre Prata fazer de tudo para consolá-lo: “Calma, Serra Azul, não se desespere, você tem talento, você vai pegar o jeito...” – Mas nada adiantou.
Faquinha Azul, é claro, já sabia a respeito. O Prata lhe contara sobre os testes que pretendia fazer com o facãozinho, e ela não só concordou, como torcia para dar certo. Depois das perdas que tiveram, estavam os dois sozinhos no comando dos Torneios, e seria ótimo ter mais um companheiro na equipe. 
Mas ao assistir ao teste do Serra Azul, ela torceu o nariz: “Hum... Sei não... Está me parecendo que esse cara é muito raquítico para ter firmeza no queijo.” 
A sorte do Serra Azul foi que no dia seguinte, durante a apresentação no Torneio de Tirinhas, a própria faquinha Azul também vacilou. Fez quase a mesma coisa: entortou a lâmina, devido à resistência do queijo, arrancando um pedaço sem chegar ao final da fatia. Teve de usar toda a toda a sua técnica para acabar conseguindo, a duras penas, cortar uma segunda fatia mais ou menos certa. Mas a dificuldade foi enorme. Concluiu então que aquele queijo estava totalmente fora do padrão exigido. Significava que o teste do Serra Azul não poderia ser considerado válido. 
Essa notícia deixou Serra Azul novamente otimista e confiante. E como havia se saído muito bem no corte do pão, Rebite Prata resolveu fazer com ele um novo teste. Decidiu encurtar caminho e testá-lo, dessa vez para valer: na arena do Torneio, com público.
A imprensa anunciou a novidade com uma frase de suspense: “Um desconhecido chega amanhã ao Torneio de Tirinhas. Quem será ele?”  – A manchete despertou tanta curiosidade, que no dia seguinte o público lotou o estádio.
Chegou o momento da apresentação. O queijo agora era macio, dentro do padrão oficial. Mesmo assim, muito nervoso, Serra Azul iniciou vacilando novamente. Sua lâmina começou a entortar, mas aos poucos conseguiu alinhá-la e cortou a fatia até o fim, embora meio desnivelada. A segunda fatia saiu melhor, apesar de ainda irregular. Na última, pouco ou nada melhorou. Mas o importante é que conseguiu cobrir com elas toda a superfície do pão. Fez isso com bastante presteza, e ganhou aplausos. Em seguida, o Pote de Orégano cumpriu a sua função rotineira, e então iniciou-se a parte mais difícil, a etapa mais apreciada pelo público, onde o protagonista tem oportunidade de exibir toda a sua técnica: o corte das tirinhas. 
Serra Azul, a partir daí, deu um banho de eficiência. Era a primeira vez que um facão serrilhado atuava nessa função, e revelou-se perfeito. Quase não fragmentava as beiradas do pão e seu serrilhado mostrou-se muito eficaz no corte. Foi bastante aplaudido pelo público.
Apesar do número de tirinhas não ser, atualmente, o fator determinante do sucesso, ainda há no público muitos aficcionados dos antigos recordes. E esses o aplaudiram bastante pelo resultado conseguido, de 21 tirinhas. Na segunda parte do Torneio, na arena de consumo, as tirinhas que Serra Azul cortou ganharam a nota “Ótima!” Não é a melhor nota, mas ainda assim, por se tratar de um novato, provocou muita admiração e aplausos.
Foi um grande começo para o Serra Azul, que de tanta alegria chegou às lágrimas. Foi aprovado pelo público e muito abraçado por seu mestre e pela faquinha Azul. 
   Mas na saída, a Azul comentou bem baixinho com o Prata: ”Sei não... Um protagonista tem que ser completo, e ele é muito frágil para o corte de queijo... Sei não...”

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• HUMOR & CARTUNS • O trânsito brasileiro (continuação)

Os cartuns a seguir ilustraram o livro 
O trânsito brasileiro e seu novo código - Análise e sugestões (de Celso Franco, ex-diretor do Detran do Rio de Janeiro e ex-colunista do caderno Carro & Moto do Jornal do Brasil).
As 21 charges selecionadas estão sendo postadas mensalmente no blog, deste este mês até agosto de 2018.






• As legendas das charges são frases retiradas do livro.
Infelizmente os códigos da convenção da ONU eliminaram o importante sinal de “contramão”.

O artigo 110 regulamenta a circulação de veículos de competição, quando não transportados em carretas ou outro transporte adequado.

Não seria demais exigir o seguro do veículo estrangeiro, que assegura até o pagamento de multas cometidas.

O procedimento que sepulta o veículo é conhecido como baixa, ou “certidão de óbito”.

Dirigir ameaçando pedestres que estejam atravessando a via pública: infração gravíssima.

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• ELES SÃO UNS GATOS! • Duas gatas (continuação)

Os fatos desta história são reais e contam como duas gatinhas se conheceram. 
Uma, Violeta, nome dado pela cor de seus olhos vesguinhos. Seu corpo era  branquinho, com as extremidades escuras. Linda. Violeta era medrosa, mas terna e amorosa como nunca se viu.
A outra é a Sarinha, também linda, toda parda amarelada. Sarinha sempre foi muito segura de si, senhora das situações em que se metia.


Neste mês a história continua descrevendo o real e emocionante encontro de Violeta e Sarinha. As duas se aproximam pela primeira vez, muito lentamente, cheias de medo uma da outra. 




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• OUÇA FABYOLA SENDINNO • Feira de Mangaio


(Glória Gadelha e Sivuca) 
Faixa do cd NÓS QUATRO (Gravadora Biscoito Fino)

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• INFORMAÇÕES PROFISSIONAIS • Sendino

SENDINO
(Claudio Fabiano de Barros Sendin)

• Diretor de arte publicitário, trabalhou em Criação, nas principais agências do Rio de Janeiro, de São Paulo, e num estúdio de publicidade em Barcelona. 
Durante essa fase, participou da criação de campanhas publicitárias para muitas empresas e instituições importantes, entre elas: Volkswagen, Vasp, Gillette, Coca-Cola, Banco do Brasil, Petrobras, Merrel (Cepacol), Fleischmann Royal, Bradesco Seguros, Prefeitura do Rio de Janeiro. 
Algumas dessas campanhas e peças isoladas receberam medalhas de ouro, prata e bronze, no Prêmio Colunistas.

• Cartunista publicitário, criou personagens bem-sucedidos para publicidade, como Bond Boca, da Cepacol, em parceria com o redator Alexandre Machado, e o Bocão, da Fleischmann Royal, em parceria com a equipe de marketing da Norton. Criou todos os cartuns da campanha Minimania, para a Coca-Cola e Bob’s.

• Cartunista editorial, ilustrou com cartuns, na revista Domingo (do antigo Jornal do Brasil), muitas matérias, e criou uma capa para a edição sobre “mergulhadores na Baía de Guanabara a procura de barcos naufragados”. Na revista Veja Rio, criou 16 capas, muitas ilustrações de matérias, e ilustrou com charges as crônicas do crítico musical Sérgio Cabral, durante mais de cinco anos. Para o jornal O Globo, criou muitas capas para os cadernos “Vestibular”. 

• Diretor de arte editorial, fez os projetos gráficos de várias revistas corporativas: Hospedagem Brasil (para a Associação Brasileira da Indústria de Hoteis), Rumos Práticos (para o Conapra – Conselho Nacional de Praticagem), Paissandu Notícias (para o Paissandu Atlético Clube – RJ), Biólogos (para o CRBio-02 – Conselho Regional de Biologia), Revista da Casa de Eapaña (do Rio de Janeiro), e Revista do Clube Naval.  

• Autor de três livros de cartuns: 
A fábrica e o povo (Massao Ohno – Ricardo Redisch Editores), com cartuns que ilustram um texto de Eça de Queirós.
Viagem de volta, (Repro–SP), com desenhos surrealistas de aviões inspirados nos Beatles, e poemas de Nei Leandro de Castro inspirados nos desenhos e nos Beatles.
Anedotas populares (Editora Taurus), com cartuns em forma de quadrinhos sobre anedotas contadas pelo povo.

• Contato com Sendino, através do e-mail:

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quinta-feira, 3 de maio de 2018

• ARTIGO • Eduquem as crianças!



Eduquem as crianças!


“Eduquem as crianças e 
não será necessário castigar os homens”
 Pitágoras

Quando se diz que o progresso de um país começa pela educação do seu povo, logo se pensa na criação de mais escolas e universidades. São engenheiros, médicos, artistas, cientistas e toda a população “inteligente” de uma nação, que a faz crescer, tanto culturalmente quanto tecnologicamente. Quanto mais alto o nível intelectual da população, mais o país se destaca no meio internacional.
Isso é bem previsível, mas vejamos em que consiste o progresso advindo do trabalho de profissionais gabaritados, formados em universidades. 
No milênio passado, a evolução científica e tecnológica foi fantástica. Haja vista a distância percorrida entre as primeiras e frustradas tentativas de voar, com trapizongas imitando asas, e as atuais naves espaciais. Entre os primórdios da ciência médica, observando a olho nu as entranhas de cadáveres, e o atual estudo da genética. Ou entre o descobrimento da pólvora e a bomba atômica, para citar uns poucos exemplos. 
O ser humano, aprofundando cada vez mais seus conhecimentos através de constantes e importantes descobertas, foi capaz de realizar coisas consideradas impossíveis. Um exemplo é o rádio, que funciona graças às ondas hertzianas, uma descoberta que na Idade Média seria certamente taxada de bruxaria e heresia. Ou a televisão e o computador, que não foram imaginados nem pelos grandes visionários de outrora.
É certo que as inúmeras e importantes descobertas dos antigos e modernos cientistas, promoveram um gigantesco avanço tecnológico no mundo, tornando as nações muito mais poderosas. Mas, no entanto, infelizmente não conseguiram fazer a humanidade mais feliz.
Alguns tentam contestar essa verdade, apontando o atual nível da qualidade de vida e as inúmeras possibilidades de conforto proporcionadas pelo progresso. Porém, se atentarmos, só uma pequena parcela da humanidade tem acesso a esse conforto. A maioria padece na luta frenética para consegui-lo, sofrimento que muitas vezes é bem maior do que a comodidade real que essas coisas podem proporcionar. Tal sofrimento é causado sobretudo pela inveja a quem possui esses bens, o que já provocou crimes bárbaros e inúmeros. 
Por outro lado, os que conseguem usufruir do conforto moderno, também não se satisfazem com o que possuem, necessitando correr atrás de bens mais caros, criando novas metas a serem alcançadas, e consequentemente, tornam-se também infelizes.
Apesar do exclusivo dom de raciocinar, do enorme desenvolvimento intelectual e do volume de conhecimentos adquiridos, o ser humano continua agindo tal qual agia na época primitiva: usa em benefício próprio todas as suas invenções, e vive lutando para satisfazer seus desejos de poder e de riqueza.
O egoísmo, herdado geneticamente pelo homo sapiens de seus antecessores, permanece até hoje intacto no caráter humano. Depois de muitos séculos de progresso científico, todo o conhecimento adquirido foi insuficiente para eliminar esse mal. Não conseguiu tornar os indivíduos mais felizes, mais solidários e altruístas.  
Uma das principais razões para essa absurda disparidade evolutiva, foi o domínio absoluto dos poderosos da antiguidade sobre as religiões, apossando-se de textos sagrados e os modificando conforme suas conveniências, impedindo assim que os verdadeiros conhecimentos espirituais fossem divulgados.
Tal involução reflete-se ainda hoje, a começar pela educação infantil.
Devido à ignorância espiritual humana, o egoísmo é estimulado desde a infância. A educação que recebem as crianças, tanto dos pais quanto nas escolas, em qualquer parte do mundo, é orientada somente para a competência. E pior, para a competência aliada à competição entre os colegas. Conselhos repetidos às crianças e jovens para “serem vencedores”, para se tornarem “um alguém na vida”, são assimilados por eles como permissividade para vencerem a qualquer custo o “adversário” –, em geral o seu companheiro.  
A educação religiosa, por outro lado, impõe uma série de dogmas e amplia a noção de família, para a de pátria, mas sem levar em conta a humanidade, como um todo. Em momento algum ensina-se às crianças que toda a humanidade é uma só raça, e que se deve agir no sentido de melhorar igualmente a vida de todos. 
O cérebro humano, com a inteligência super desenvolvida, mas com a espiritualidade estagnada, aprende a colocar ardilosamente o “eu” na frente de tudo. Logo encontra maneiras de usar os preceitos morais hipocritamente, como “fachada”, para obter vantagem. 
Assim, na vida adulta, as pessoas facilmente adotam discursos humanistas, alguns com eloquência suficiente para se tornarem políticos bem-sucedidos ou chefes religiosos devotados. Intitulam-se pacifistas, participam de campanhas pela paz, fazem até guerras pela paz! Mas não abrem mão de seus preconceitos e usam todas as armas de que dispõem para conseguir o que desejam.
Em consequência, vivemos numa sociedade de competição desenfreada, não importando em que regime político ou qual a religião adotada, muito menos a classe social à qual pertence. Do mais pobre ao mais rico, do analfabeto ao letrado, do religioso ou ateu, comunista ou capitalista, vivem para satisfazer caprichos pessoais, estimulados pela vaidade.
  Com essa maneira de ser, os dirigentes do mundo, absorvidos pela competição arrasadora entre as nações, adotaram a teoria de que a paz só será mantida pelo fortalecimento de seus arsenais de guerra, até que as forças das principais potências fiquem equilibradas. Apesar de essencialmente suicida, é uma teoria realista e coerente com o contexto atual, e com o nível mental da maioria da humanidade, que não conhece outra maneira de viver, a não ser a da competição. A teoria pode funcionar, até que um deles, mais insano, resolva liquidar os outros para conquistar o mundo, o que, aliás, já foi tentado mais de uma vez.
Todos competem por alcançar alguma vantagem: a ascensão pessoal dentro da empresa, quando empregado; se empresário, o domínio do mercado pela sua empresa; ou, se for político dirigente, o domínio do seu país. Nesse caminho, a ética é posta de lado ou usada de forma demagógica para disfarçar a ganância sem limite.
Assim agem os seres humanos em geral, não importa que sejam rotulados de fascistas, comunistas, progressistas ou conservadores.
Poucos, muito poucos, no entanto, são verdadeiramente humanistas. Esses compreendem que o grande mal da humanidade é o seu baixo desenvolvimento espiritual, e não o regime de governo nem a religião adotada. Já se livraram desses condicionamentos nocivos ensinados desde a infância. 
São eles os homens e mulheres de bem. Pode-se dizer que, de alguma forma, tiveram uma boa educação. Não competem mais com seu semelhante, pois não se satisfazem em levar vantagem à custa da infelicidade do outro. Mas nem por isso são complacentes ou submissos: são pessoas de bem, por terem alcançado um nível de consciência, que lhes impele a priorizar o próximo em suas ações, assim como respeitar os animais e a natureza. Já conhecem da vida o suficiente para deixarem de ser consumistas, de ostentar riqueza e de querer possuir mais que seu vizinho. São por isso levadas a lidar com todos, ricos ou pobres, com a mesma consideração. Sobretudo, são pessoas honestas, seja lá onde se encontrem e o que estejam fazendo.
Somente a educação será capaz de formar pessoas assim. Uma educação tal, que ajude a despertar nas crianças a consciência de que todos nós fazemos parte de uma enorme família, que se estende muito além das fronteiras de nossa casa e do nosso país: a enorme família humana. E que a nossa felicidade depende da felicidade de todos, estimulando assim a colaboração ao invés da competição.
Certamente uma educação dessa natureza ministrada às crianças, como disse Pitágoras, evitará que no futuro continuemos a ter de punir os adultos. 

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