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segunda-feira, 15 de maio de 2017

• HISTORIAS DAS COISAS – 21 • Caso de polícia





GRANDES EVENTOS

História 11
Caso de polícia
(Continuação de O renascimento da Fininha – publicado em dezembro de 2016)

Era madrugada, quando os policiais invadiram a gaveta e deram ordem de prisão aos dois facões. Rebite Prata e Rebite Dourado, embrulhados em jornal e algemados, foram levados sem nenhuma explicação. Tudo aconteceu tão rápido, que nem ocorreu à faquinha Azul, que estava ao lado, indagar o porquê daquela agressão. Ela ficou em estado de choque, permanecendo imóvel, sem dizer palavra. Logo chegou correndo sua prima Fininha, que acordara com os ruídos, a perguntar o que estava acontecendo, despertando Azul de sua inanição.
“A polícia levou os dois... não sei mais nada...”, balbuciou Azul, com muita dificuldade. Fininha lhe revelou que durante a noite acontecera algo muito estranho: já era bem tarde, quando um desconhecido chegou, trocou algumas palavras com o Prata, e os dois saíram às pressas. Ela pensou tratar-se de uma tarefa qualquer na cozinha, mas Prata retornou algum tempo depois, muito aflito, repetindo consigo mesmo: “Eu fui usado... Eu fui usado...”  Deitou-se e não quis comentar nada. “O que será que ele queria dizer?” “O que será que aconteceu?”, perguntavam uma à outra, sem atinarem as respostas.
Logo que amanheceu, foi grande o alvoroço em toda a gaveta. Os dois facões eram admirados e queridíssimos por todos, que acompanhavam sempre pela TV as apresentações do grupo nos dois torneios. Formou-se um mistério que duraria ainda bastante tempo...
É claro que naquela manhã não houve espetáculo. O Diretor de eventos, ao saber do ocorrido tentou minimizar, numa entrevista que foi ao ar em edição extraordinária nas TVs e divulgado nas redes sociais. Disse laconicamente que os dois facões teriam de se ausentar por tempo indeterminado devido a problemas particulares, por isso os dois torneios seriam suspensos por mais dois dias, e que retornariam sob o comando das faquinhas Azul e Fininha. Fez altos elogios à competência das duas, garantindo que, por essa razão, a qualidade das apresentações não sofreria dano com a ausência dos facões. O Diretor deu o recado com tanta firmeza, que o público aceitou de imediato, embora com uma certa estranheza, por ele nada ter comentado sobre que “problemas particulares” seriam esses.  
Na gaveta, Azul e Fininha choravam muito, e o clima na comunidade era de comoção geral pela prisão dos dois facões. Na maioria, os moradores deram votos de solidariedade e confiança, pois conheciam de perto o caráter, tanto do Rebite Prata quanto do Dourado, e estavam certos de que a qualquer momento tudo seria esclarecido e lhes devolveriam a liberdade.
No dia seguinte, as duas faquinhas conversaram muito. Ambas já haviam adquirido maturidade suficiente para terem consciência de ser aquele um momento de superação, a qualquer custo. Não havia outra saída: ou se ajudavam mutuamente ou seria o fim dos dois torneios e de suas carreiras artísticas. Corajosas, fizeram o pacto de manterem sozinhas, dali em diante, todos os espetáculos. Seja lá o que estivesse acontecido com seus mestres e amigos –, concordaram as duas –, essa seria a atitude que eles desejariam vê-las tomar.
Na reestreia, com a plateia lotada, a faquinha Azul foi a primeira a se apresentar. Cumpriu sua tarefa muito bem, sendo aplaudidíssima. Fininha, no dia seguinte, também se saiu brilhantemente, mantendo em alto nível o Torneio Tirinhas. Sucederam-se apresentações intercaladas das duas, tanto no Torneio Tirinhas quanto no Tirinhas Uno, sempre correspondendo às exigências daquele público seleto e cada vez mais numeroso. Sim, o público cresceu, para satisfação do Diretor, que via a bilheteria aumentar a arrecadação.
Além de talentosas, as duas faquinhas eram muito unidas, entre elas jamais houve competição, ao contrário, cada atuação marcante de uma, dava grande alegria para a outra.
Correram semanas, e nenhuma notícia dos facões presos. As faquinhas ligavam constantemente para a polícia, mas a resposta era sempre a mesma: que estavam investigando. Tanto Azul quanto Fininha se recusavam a admitir que os dois tivessem se envolvido em alguma atividade ilícita. Conheciam o caráter dos dois e tinham certeza de que estavam sendo vítimas, que cedo ou tarde tudo se esclareceria. Mas a demora as deixava tão preocupadas, que faziam uma verdadeira ginástica mental para não caírem em depressão. Quando isso começava a acontecer, sempre uma “puxava a outra para cima”, mantendo uma constante esperança.
O público, no entanto, reagia de maneira bem diferente. Como a prisão dos facões não foi divulgada pela imprensa, circulava o boato de que estavam doentes, internados num hospital cujo nome era mantido em sigilo. Daí, todos os hospitais da cidade não pararam de receber ligações perguntando pelo Prata e pelo Dourado.
Enquanto isso, as faquinhas Azul e Fininha faziam enorme sucesso. Eram tão hábeis no corte das tirinhas, nas sutis reposições dos pequenos farelos que se soltavam, que começaram a ser consideradas mais talentosas do que os próprios facões. Para a maioria do público, os nomes Rebite Prata e Rebite Dourado já não significavam tanto. O interesse por eles foi diminuindo, e os telefones dos hospitais também se acalmaram.
Alguns comentários maldosos começaram a surgir na comunidade da gaveta, onde todos sabiam que eles foram presos. Os dois facões, que nessa altura já eram pouco admirados pelo grande público, começaram a ser taxados de marginais, por alguns vizinhos da própria comunidade. Chegaram a inventar que os dois faziam parte do crime organizado, que estavam envolvidos em corrupção, que recebiam propina para vencerem os torneios...  
As duas faquinhas, longe de se contaminarem com esses boatos, mantinham inabalável confiança de que, algum dia, tudo seria devidamente explicado.
Não foi preciso esperarem tanto. Pela manhã, dois policiais entraram na comunidade procurando por elas. Os dois vestiam ternos cinza, bastante surrados, e apenas um tinha gravata, preta, toda amassada. Azul e Fininha, com o coração aos pulos, correram para recebê-los.
“Temos boas notícias”, disse o policial de gravata. “Seus amigos facões foram libertados e já estão chegando aí.
As duas se abraçaram e choraram de alegria. Entre soluços, perguntou Fininha: “O que aconteceu? Por que prenderem eles?”
O policial de gravata era o que falava, enquanto o outro somente concordava com a cabeça.
Contou sem rodeios toda a história: “Eu sou o detetive Xisto, este aqui é meu auxiliar. Fomos informados de que um facão residente nesta comunidade havia participado de um assalto, e como não sabíamos qual deles, prendemos os dois. Fizemos um trabalho investigativo e pericial baseado na descrição feita por um dos facões, que atendia pelo nome de Rebite Prata, e conseguimos prender o bandido. Ele confessou que realmente usou o facão para cometer o assalto. O facão não teve culpa, foi enganado pelo marginal com uma proposta de trabalho e acabou raptado. Mas quando ia ser usado para ferir a vítima, conseguiu se desvencilhar e pular fora, caindo na calçada. Isso deu tempo suficiente para a vítima fugir, e o bandido com raiva o abandonou ali no chão. Por isso ele pôde voltar para casa.”
O detetive Xisto fez uma pausa e apontou para as duas faquinhas: “Nós viemos aqui, porque é importante vocês saberem que seu amigo procedeu com heroísmo. Vocês devem festejar a sua volta.”
Durante o relato, Azul e Fininha ficaram com lágrimas nos olhos. Mas quando, no final, o investigador chamou o Prata de herói, aí as duas caíram em prantos, abraçando-se novamente, e quando voltaram a olhar para os detetives, não os viram mais. Nos seus lugares estavam, nada mais, nada menos, do que o Rebite Prata e o Rebite Dourado. Bem ali, diante delas!
Impossível descrever a emoção daquele momento. Todos choraram abraçados, durante um bom tempo. Alguns vizinhos da comunidade se aproximaram, também emocionados. Pouco depois, uma pequena multidão se formava em volta, todos muito felizes pela volta dos facões, inclusive aqueles que fizeram os comentários maldosos...
Depois desses primeiros momentos, já no aconchego de sua casa, em compania do Prata e do Dourado, a faquinha Azul telefonou para o Diretor, contando a volta dos dois facões. Ele imediatamente marcou uma reunião de emergência em seu escritório, para decidirem que rumo tomar.
Na mesa de reuniões, assim que se acomodaram, o Diretor cobrou uma explicação detalhada dos motivos da prisão. O próprio Prata relatou passo a passo o que aconteceu. Contou que uma figura estranha o procurou em casa, à noite, pedindo ajuda para um “serviço” na cozinha, e assim que os dois saíram da gaveta ele revelou-se um bandido e o raptou. Contou a tentativa de usá-lo no assalto, a escapada no momento certo e o retorno para casa, até a chegada da polícia para prendê-lo.
O Diretor ouviu com toda a atenção, refletiu alguns segundos e depois o cumprimentou. “Parabéns, meu caro. Eu sempre soube que você é honesto e do bem, nunca duvidei disso”. Todos se entreolharam sorrindo, mas o Diretor prosseguiu: “Justamente para lhe proteger, eu calei toda a imprensa. Felizmente para nós, toda ela é movida por dinheiro! O custo foi bem alto, mas eu tive de pagar, porque se divulgassem sua prisão, é fácil prever que seria o fim dos nossos torneios.
“Certo, mas... O senhor pretende cobrar de nós?“, perguntou a Azul.
“Não, não é isso, eu sei que vocês não têm recursos”, fez questão de frisar, “Mas vou pedir que concordem em continuar levando os torneios do jeito que está, por mais tempo”.
“Mas a volta do Prata e do Dourado deverá trazer mais público!”, afirmou a Azul, e a Fininha completou: “Vai aumentar a bilheteria!”
“Enganam-se. O público já se acostumou com vocês duas. Para dizer a verdade, quase não se ouve mais falar nos nossos queridos facões... Sabemos que os dois são muito bons, mas queiramos ou não, essa é a realidade. Infelizmente...”
Ninguém pôde contestar. Fez-se um silêncio mortal, finalmente quebrado pelo Rebite Prata: “Concordo inteiramente com o senhor. Vamos ficar assim.”
No dia seguinte, toda a imprensa divulgou uma nota comunicando a volta dos dois facões às suas residências, ambos com a saúde ainda debilitada, necessitando de repouso por tempo indeterminado. Nenhuma entrevista, nenhuma foto.
E o público voltou a lotar os espetáculos, com a faquinha Azul e a Fininha como únicas protagonistas.
Os diretores sempre têm razão... 





segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

• HISTÓRIAS DAS COISAS – 18 • O Amassamento de Bananas




EVENTOS PARALELOS

• História 10
O Amassamento de Bananas
(Continuação de Salvou-se o mundo – publicado em agosto de 2015)


Durante a noite Neninha chegou a sonhar que seria a escolhida. Fazia tempo que ela não conseguia participar; sempre as outras, mesmo sem intenção, acabavam ficando na sua frente. Mas hoje Neninha estava certa de que a vez seria sua, pois em seu sonho, o charmoso garfo Renê descia de manhãzinha da gaveta de cima, onde morava, especialmente para buscá-la, oferecendo amavelmente o seu braço para levá-la ao grande evento do Amassamento de Bananas.
Esse é o evento mais importante do Café da Manhã, depois do Torneio das Tirinhas. Boa parte do público que assistiu ao Torneio aproveita para dar uma “esticada” ao Amassamento, que fica bem ao lado. O Amassamento de Bananas não é propriamente um torneio, pois não há competição nem quebra de recordes. O público sabe disso, mesmo assim comparece para se deliciar com a habilidade dos garfos amassando as bananas e das colheres pulverizando a farinha. Entre os garfos, existem estilos diferentes, uns preferem o movimento rápido e forte, outros apenas deslizam em passadas suaves e lentas, amassando pequenas quantidades de cada vez. Rodopiam depois em volta do prato, removendo as bordas da banana para o meio, numa espécie de bailado, que o público aplaude. Finalmente entra em cena a colher, buscando no sisudo e mal-humorado Pote de Farinha a mistura de aveia e linhaça, e a espalha sobre a banana já amassada. Essa técnica, também muito apreciada pelo público, consiste em leves e precisos movimentos que fazem cair a farinha de maneira contínua e uniforme. Já é de praxe a colher guardar um pouquinho de farinha para devolver ao Pote. Caso não sobre nada para devolver, todos já sabem que ele ficará mal-humorado, irritado, não conseguindo se fechar direito, o que atrasa o evento e provoca risos no público.
Repete-se essa rotina diariamente, o garfo amassando, a colher pulverizando, e o Pote exigindo a sobrinha final.
Nesta manhã, o sonho da colher Neninha foi uma predestinação. Tudo aconteceu exatamente como ela esperava: o garfo Renê abriu a gaveta abaixo da sua, onde vivem as colheres, e foi direto convidá-a. Os dois saíram de braços dados, para a rotineira e romântica viagem aérea até a arena, na pia da cozinha. Nessas curtas viagens, eles apreciam do alto todo o aposento e têm tempo suficiente para conversar. Neninha lhe contou do seu sonho, e que ao despertar de manhã estava certa de ser a escolhida. Renê achou encantador, sorriu e disse que ela era a colherzinha mais bonita da gaveta. O romance entre os dois só não foi adiante porque logo aterrissaram na arena, onde os aguardavam as duas bananas e o Pote de Farinha, para iniciarem imediatamente as atividades.
A origem dos seus nomes, Neninha e Renê, remonta ao tempo em que os Renegados foram alvo de grande preconceito por parte dos Talheres Nobres. Houve entre os dois grupos, na época, uma disputa terrível e violenta. Com o passar dos anos, porém, os ânimos se acalmaram e atualmente convivem em paz e se tratam cordialmente. Mas a designação de Renegados permaneceu, e seus nomes são quase todos formados por letras retiradas de “renegado”, como Renê, Neguinho, Neda, Gadô, Gá, e por aí vai.  Até hoje a única função deles é o Amassamento de Bananas, que o tempo transformou numa tradição da qual muito se orgulham. Os Renegados desempenham sua função com arte, competência e habilidade inigualáveis.
Nesse instante, o casal encontra-se em plena atividade do Amassamento de Bananas, e ouvem-se aplausos para o garfo Nenê, que está num de seus dias inspirados. Após a retirada das cascas da banana, ele alterna os movimentos suaves do amassamento vertical (no sentido da banana), com vigorosas amassadas horizontais, deixando assim a banana totalmente pastosa, sem imperfeição alguma. O público delira com a sua técnica impecável.
É sempre deixada para o final a parte do “umbigo” da banana, que contém em seu interior um fiapo preto que precisa ser descartado. Separar esse umbigo é uma tarefa difícil, pois a banana faz de tudo para impedir. O fiapo umbilical possui sua “entourage” – pequenas partes da banana, tão fiéis ao umbigo que dão a vida para protegê-lo. É preciso muita habilidade do garfo, cortando em volta da entourage, sem feri-la, para isolar o fiapo preto. Quando consegue pegá-lo inteiro é um sucesso, e o público aplaude demoradamente. O fiapo é então descartado sobre as cascas depositadas na lixeira da arena.
Depois disso, Neninha entra em cena e cumpre seu papel com perfeição, tirando do Pote a farinha, e formando com ela um tapete sobre a superfície da banana amassada. Reservou, como sempre faz, um pouquinho de farinha para devolver ao mal-humorado Pote, que assim, satisfeito, fecha-se macio, sem reclamar.
Após agradecerem aos aplausos do público, que já começa a se retirar para assistir ao Torneio das Tirinhas que começará daqui a pouco, Renê e sua parceira Neninha seguem para a mesa do grande evento Café da Manhã, onde, na hora propícia, a colher voltará a atuar, dessa vez no Pote de Granola.
Primeiro Neninha aguarda que o pequenino Pote de Canela cumpra a curta função de pulverizar sua canela no tapete de farinha que ela habilmente estendeu sobre a banana amassada. Em seguida busca no Pote de Granola, a quantidade necessária para formar um segundo tapete, tão uniforme quanto o outro. O Pote de Granola, ao contrário, é muito simpático, permanecendo solícito e amável o tempo que for preciso. Neninha logo termina essa última fase e depois corre para o lado do prato, de mãos dadas com Renê. Ambos ficam atentos, para intervir a qualquer momento caso haja necessidade.
Finalmente, chega a tabela de avaliação com as notas do público. Eles ganham notas altas, sinal de que o público se deliciou com o espetáculo.

No final, os dois são colocados no prato vazio e inicia-se nova viagem até a pia, para serem lavados. Nessa viagem, passam todo o tempo entrelaçados, amando-se, descompromissados de qualquer obrigação. Até voltarem novamente às suas casas, cada qual na sua gaveta, a espera de uma próxima aventura...


• HUMOR COM CARTUM • Seguro morreu de velho

Charges sobre algumas coberturas
constantes na apólice de uma empresa de seguros.
Consulta médica – Dermatologia.

Consulta médica – Pediatria.

Exames médicos.

Acidentes pessoais.

Internação hospitalar.

Extravio de documentos.

Novos dependentes.

Documentação necessária para fazer o seguro.

• ELES SÃO UNS GATOS! • Os perigos da selva...

Na selva do quintal da nossa casa, são muitos os perigos que enfrentamos…
É preciso muita atenção…

Estar sempre à espreita…

Caminhar, sorrateiro e lentamente…

Olhando em todas as direções… 

Sem deixar que nos vejam…

Pois nunca sabemos de onde virá perigo!

• OUÇA FABYOLA SENDINNO • No Mesmo Colar



  • Do LP PORCELANA

  • Link You Tube:
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domingo, 11 de dezembro de 2016

• HUMOR COM CARTUM • Papai Noel sustentável

Ele tem que ajudar no sustento da família...